Compreender e lidar com o medo é fundamental para o desenvolvimento emocional das crianças. Ao enfrentarem os seus medos, elas não só descobrem a coragem que existe dentro delas, mas também se sentem mais seguras para explorar o mundo ao seu redor. No caso de estarmos a falar de fobias, procure ajuda e aconselhamento de um profissional da área para ajudar o seu filho de uma forma especializada. Sendo apenas um medo ou um evitamento, para ajudar os pais e responsáveis a promover a autorregulação emocional nas crianças com esses medos, preparamos este texto com algumas sugestões. Vamos explorar como desenvolver as forças pessoais que contribuem para o bem-estar emocional em alguns dos medos mais comuns na infância:
Medo de ladrões: Aqui, podemos focar em trabalhar a prudência e o discernimento. Ensinar a importância de pensar antes de agir ajuda as crianças a sentirem-se mais seguras. Faça-as perceber que, por exemplo, as janelas e portas ficam trancadas durante a noite e conversem sobre o que é uma situação perigosa ou segura. Incentive o questionamento e o diálogo, de forma a desenvolver o sentido crítico da criança.
Medo de palhaços: É uma ótima oportunidade para trabalhar o humor e a inteligência social. Rir e brincar pode tornar o medo muito menos assustador. Comece por estimular uma rotina de anedotas ou piadas, de forma a rirem juntos e a perceber o papel do riso no nosso humor. Brinquem com as expressões faciais, de uma forma exagerada, e aproveitem para descobrir algumas "caretas" e expressões diferentes. Explique à criança que o papel do palhaço na sociedade é fazer o outro rir, exatamente como estão a fazer nas vossas brincadeiras de anedotas e caretas.
Medo da morte: Este medo pode ser suavizado através da espiritualidade, gratidão e amor. Conversas abertas sobre a vida e a morte ajudam as crianças a entender e aceitar esses sentimentos. Qualquer que seja a vossa espiritualidade ou crença para com a morte, partilhe-a com a criança. Caso já tenham experienciado uma perda na família, seja de um familiar, amigo ou animal de estimação, falem sobre ela e explorem as memórias que têm em conjunto. Partilhem a ideia de que a saudade significa que fomos muito amados e demos muito amor, pelo qual estamos muito agradecidos. Criem uma rotina de gratidão, na qual a criança pode ir acrescentando coisas pela qual está grata, seja num diário, num frasco ou num quadro de cortiça, por exemplo.
Medo de médico ou injeções: Incentivar a bravura, o autocontrolo e a importância do trabalho em equipa pode fazer toda a diferença neste processo. Falem sobre como precisamos das consultas médicas, dentistas, vacinas ou de fazer análises sanguíneas para potenciar a nossa saúde e que esse trabalho de equipa – dos médicos, enfermeiros, outros profissionais de saúde e nós próprios – será para o nosso bem. Em casos de, por exemplo, picada de agulha para vacinas, análises ou anestesia no dentista, não minta à criança quanto à dor ou desconforto que ela irá enfrentar. Explique-lhe que ela vai sentir, que vai doer um bocadinho, mas que passa, que ela consegue e que irá ficar mais forte e saudável depois desse momento. Para além disso, esteja disponível e presente! Mostra-se pronto para dar a mão, dizer palavras de incentivo ou qualquer outra coisa que sinta que a criança precisa de si naquele momento, oferecendo apoio emocional.
Medo de animais: Aqui o controlo emocional e a curiosidade por saber mais, pode ser um ponto de partida. Explorem juntos um livro sobre os animais, as suas características e o seu habitat. Podem também brincar com fantoches de animais e descobrir juntos os sons e movimentos de cada animal. Esteja disponível para todas as dúvidas que possam surgir e mostre que cada animal cumpre um papel indispensável no planeta.
Medo do escuro e de monstros: Esta é uma oportunidade para incentivar a criatividade, a curiosidade e a apreciação da beleza. Podem explorar juntos algumas brincadeiras noturnas com sombras ou lanternas, que podem transformar a escuridão numa nova aventura divertida. Para além disso, escolha uma forma lúdica para explorar a ideia de que os monstros podem ser bonzinhos, como um filme ("Monstros e Companhia" ou "Orion e o Escuro"), um livro ("O Monstro das Cores" ou "Não tenhas medo, Lobo Mau!") ou um jogo ("O Monstro das Cores – jogo de tabuleiro").
Medo de barulhos (como trovões ou fogo de artifício): Aqui, podemos desenvolver a inteligência social e o sentido crítico, além de promover a curiosidade pela aprendizagem. Explicar os fenómenos naturais pode acalmar a criança. Explique que os trovões são uma forma do planeta se expressar e compare-os, por exemplo, a um espirro nosso quando estamos constipados. Por outro lado, transporte uma ideia de festa e alegria ao fogo de artifício, sendo tão alto porque queremos que toda a gente saiba que estamos felizes e em festa.
São vários os medos que podem surgir na infância e pode explorar os, habitualmente, mais presentes em cada fase do desenvolvimento com o nosso texto "Os medos na infância". Ao abordar estes medos de forma lúdica e educativa, ajudamos as crianças a tornarem-se mais resilientes, transformando os desafios emocionais em oportunidades de crescimento. Perceba que este é um processo que pode demorar algum tempo! Durante esse processo, acolha o medo da criança e não o desvalorize, criando a ideia de que é um medo parvo ou sem sentido. Pelo contrário, mostre que percebe esse medo, enquanto o direciona para forças e emoções positivas. Assim, elas aprendem a usar as suas forças pessoais para enfrentar o que as assusta, sempre caminhando em direção a um futuro mais seguro e feliz!