A Plataforma que te ensina a Voar

Birras – de onde vêm e para onde vão?

18 de Novembro de 2024
Partilhar:
Birras - de onde vêm e para onde vão?

Já todos presenciamos ou vivemos, certamente, esta cena: uma criança a espernear e a fazer uma birra num local público, na maioria das vezes, por um motivo aparentemente fútil. Choro, pontapés, gritos e o atirar-se para o chão são as reações mais comuns e, nestas ocasiões, os pais costumam sentir-se envergonhados e culpados.

A grande dúvida dos pais é “O que fazer quando a criança começa com uma birra?”. Mas que tal começar por esclarecer alguns outros pontos sobre a mesma situação:

Porque é que as birras acontecem?

Na verdade, uma birra acontece quando a criança se sente frustrada por alguma situação ou decisão do adulto. Precisamos de perceber que as crianças ainda não sabem lidar com a maior parte das suas emoções e que o cérebro delas ainda é imaturo e ainda está a desenvolver respostas de controlo de impulsos e tomada de decisões. Como a criança não consegue expressar as suas insatisfações através da linguagem, ela reage com uma birra, normalmente seguida por uma explosão de raiva.

Até aos 3 anos, a criança passa por um rápido crescimento e desenvolvimento, procurando cada vez mais autonomia. Nesta fase, ela começa a entender como as suas ações afetam o ambiente, enquanto melhora as suas habilidades motoras e de comunicação. As crises de birra são uma expressão natural deste processo, refletindo a tentativa da criança de afirmar a sua autonomia e lidar com frustrações. Cabe aos pais entenderem que os seus comportamentos não são um gesto de desrespeito ou agressão pessoal, mas de descontrolo e de dificuldade de se autorregular sozinha, e que estas atitudes fazem parte do desenvolvimento da criança.

Se pararmos para pensar sobre isto, nós adultos também nos frustramos e fazemos birras (conhece alguém que bate portas? Que ignora o outro? Que atira com coisas? Pois…birras de adultos). Entretanto, se o adulto tem permissão de se frustrar e ficar chateado caso algo aconteça que não é do seu agrado, porque é que a criança não poderia sentir e fazer o mesmo? É claro que pode. E é claro que vai.

De quem é a culpa?

Não existem culpados pelas birras na infância! O sentimento de culpa faz com que muitos pais se tornem excessivamente permissivos, não estabelecendo limites adequados e claros. O limite adequado é uma necessidade emocional básica da criança e pode ter várias consequências no desenvolvimento. Os limites são essenciais para proporcionar estrutura, segurança e orientação, ajudando a criança a desenvolver habilidades sociais, emocionais e comportamentais.

Estas regras ou limites devem ser acordadas por todos os elementos da mesma forma. O certo e o errado ficará confuso quando a mãe disser sim e o pai disser não. A criança percebe este desequilíbrio e vai recorrer àquele que ceder mais facilmente ao seu desejo. Deve haver um consenso entre os pais e um não deve desautorizar o outro. O bom senso e o meio termo dos pais é o que vai dar sempre os melhores resultados.

Outra questão é querer proteger a criança de qualquer perda, tristeza ou frustração. Assim, quando ela entra em contacto com algum desses sentimentos, não sabe suportar a situação e lida de um modo ainda mais exagerado.

Como podemos proceder no momento da crise de “birra”?

Parece durar uma eternidade, mas uma crise de birra no seu pior momento costuma durar entre três e quinze minutos e, em média, cinco minutos. Crises mais longas e intensas, que durem mais de meia hora, merecem uma investigação médica mais detalhada.

Quando existe uma crise de birra, a criança mal consegue ouvir o que lhe dizemos e muito menos o consegue compreender. Os pais podem procurar remover a criança daquele ambiente onde se deu o gatilho e ir para um local mais privado, se isto for possível, e de forma muito respeitosa, sem pegar na criança abruptamente. Tenham em mente que os cuidadores é que são os adultos, os que têm os cérebros maduros e conseguem controlar (ou deveriam conseguir) os seus impulsos. Procurar manter a tranquilidade vai ajudar a criança a voltar à calma com mais facilidade.

Por isso, respire fundo e, se necessário, utilize técnicas de respiração para se centrar. O controlo da respiração também pode ser ensinada às crianças através, por exemplo, da metáfora da flor e da vela, orientando a criança para que cheire a flor – enchendo a barriguinha de ar – e sopre a vela – encolhendo/esvaziando a barriguinha. Temos uma publicação que trata deste assunto, pode acessá-la aqui.

Tente controlar os seus impulsos para que não aja violentamente para com a criança, seja física ou verbalmente. O mais indicado na hora da birra é não tentar ensinar ou racionalizar à criança os seus motivos, mas apenas acolhê-la nas suas emoções, dizendo algo como: “Eu sei que gostarias de brincar mais no parque, filho. Entendo que estejas triste e irritado, mas agora precisamos de ir para casa almoçar”. Repita a frase quantas vezes forem necessárias. Esta atitude demonstra respeito e compreensão para com os sentimentos da criança, ensina a nomear o que se sente, acolhe o desejo da criança e, ao mesmo tempo, deixa claro o limite. Bater, castigar e ameaçar não ensinam nada e podem gerar traumas e baixa autoestima na criança.

Não é necessário fazer trocas ou “chantagens” como “se parares de chorar dou-te um gelado em casa”. Este tipo de abordagem só ensina a criança a calar os seus sentimentos e a estar sempre à espera de ser recompensada, enquanto que se a acompanhar nas suas emoções, mantendo-se firme aos limites, ajuda-a a ser um futuro adulto que aprendeu a autorregular-se, mesmo quando algo não sai conforme o esperado.

Dicas:

  • Um brinquedo é diferente de brincar. As crianças precisam de brincar com os pais e não de receber cada vez mais brinquedos novos. Podem explorar os objetos que tem em casa para praticar a criatividade. É, também, através da brincadeira que os pais ensinam limites, dão carinho, atenção e amor. Os cenários das brincadeiras podem oferecer mais recursos à criança sobre como poderia agir em determinadas situações.
  • Os pais devem preparar a criança para um possível episódio de frustração. Por exemplo, se a criança está numa brincadeira extremamente divertida, mas a hora de sair para um compromisso está próxima, informe-a que dentro de alguns minutos ela vai precisar de parar a brincadeira e vá repetindo a informação algumas vezes até ao momento da saída.
  • As crianças têm exigências e tempos de resposta diferentes. Evitar comparações entre irmãos e amigos é bastante recomendável. Os pais terão que usar o bom senso para escolher as suas batalhas e a quais ceder. Está tudo bem se forem mais permissivos em questões menos essenciais, como, por exemplo, vestir algo com bolinhas e risquinhas. É esta flexibilidade que pode ajudar a evitar o stress desnecessário entre todos.
  • Até aos três anos de idade a criança vai entender melhor uma situação através de uma ação do que de uma ordem. Por exemplo, quando necessário o uso do “não se mexe aí”, associe-o à ação de retirar a mão da criança do lugar inadequado. No entanto, melhor ainda é oferecer à criança opções seguras nas coisas que estão ao seu alcance, dando mais oportunidades de SIM do que de NÃO.
  • Evite ceder à pressão de uma birra e não responda com gritos ou violência. Quando os adultos reagem desta forma, acabam por reforçar este comportamento agressivo. Mantenham a calma e procurem lidar com a situação de forma tranquila e consistente.
  • No lazer deem preferência a praias, parques e praças, pois são lugares relaxantes e alegres para as crianças. Evitem ambientes propensos à frustração, como shoppings e lojas de brinquedos.
  • Dar mais autonomia e oferecer opções fechadas (pode escolher entre este ou aquele) às crianças são uma excelente maneira de atenuar crises. Se for necessário restringir algum comportamento, redirecione-a e use: “este pião não está disponível para brincar agora, mas este carrinho está doido por brincar contigo”.

Por fim, um bom vínculo afetivo é sempre a prioridade e é essencial para a ação educativa. Educar é repetir e, de preferência, com muito amor e respeito.

stevcsdc
dsfasd

asdasdjasd

Sugestões?

Gostaríamos de te ouvir! Envia-nos a tua recomendação.

Publicações relacionadas

Sugestões?

Gostaríamos de te ouvir! Envia-nos a tua recomendação.